PEDRAS QUE NIVELAM E EDIFICAM
Uma cidade destruída pela guerra ou por uma grande tragédia gera muito entulho.
Por onde se olha, há restos de algo que um dia tinha vida e história.
Em meio à destruição, as pedras continuam ali. E é justamente sobre elas que muitas cidades são reconstruídas. Aquilo que parecia apenas ruína acaba servindo de base para um novo recomeço.
Jerusalém é uma prova disso.
Na Bíblia, pedras amontoadas geralmente simbolizavam um evento importante entre Deus e os homens. Lembram as gerações futuras sobre a fidelidade divina.
Nos cemitérios judaicos, não se colocam flores sobre os túmulos. Colocam-se pequenas pedras.
Flores representam sentimentos, combinam beleza visual com o perfume de vários aromas e expressam carinho. Entretanto, são passageiras. Com o sol, a chuva, o vento e o tempo, elas murcham e desaparecem.
Pedras resistem ao tempo.
Isso nos leva a uma reflexão. Talvez haja uma grande lição espiritual nisso.
Em algum momento da nossa existência, as pedras estão em nossas mãos ou estão sendo atiradas em nós.
Na vida, às vezes somos apedrejados ou estamos apedrejando; recebendo críticas ou criticando; cometendo injustiças ou sendo injustiçados; rejeitando ou sendo rejeitados.
Pedras são lançadas de um lado para o outro. O que fazer com elas?
Podemos edificar um altar de orações ou um memorial diante de Deus.
Aquilo que pode parecer destruição de reputações ou fim de algo, pode se transformar em edificação.
Uma famosa frase bíblica dita pelo Senhor Jesus no episódio em que salvou uma mulher de apedrejamento, nivelou acusadores e acusado:
“Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar a pedra.” (João 8: 3–11)
Críticas ou dificuldades impostas — mesmo vindas de quem se coloca em posição de superioridade e moralidade — podem ser transformadas em base e estrutura para a reedificação.
Pedras, em vez de nos arruinarem, podem ser usadas para edificar algo novo, mais sólido, mais bem estruturado e mais elevado.
Mas, para que isso aconteça, é necessária uma postura de resiliência e uma visão clara de propósito.
“Eu também não te condeno. Vá e não peques mais.”
Essas palavras revelam algo profundo: Jesus não participou do apedrejamento, mas também não ignorou a necessidade de transformação. Ele ofereceu misericórdia, mas também apontou um novo caminho.
Muitas pedras que nos atingem podem carregar acusações, julgamentos e críticas. Algumas são injustas, outras podem até revelar falhas reais. Porém, em vez de permitir que elas nos destruam, podemos levá-las diante de Deus.
O que era para ferir e derrubar, pode acabar servindo para nivelar o terreno e fortalecer os fundamentos daquilo que Deus está edificando em nossa vida.
Não devolva as pedras lançadas contra você. Recolha-as.
Nas mãos de Deus, elas podem ser úteis para o reerguimento.
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