Os Sinais e a Pregação: Concorrentes e Adversários?
Os Sinais e a Pregação: Unidos na Missão de Cristo!
Introdução
Ao longo da história da Igreja, surgiram dois extremos sobre a pregação e as manifestações espirituais: alguns rejeitam os sinais e os milagres, enquanto outros dão mais importância aos sinais do que à pregação do Evangelho.
I. A Ressurreição de Lázaro
No capítulo 11 de João está registrado o milagre da ressurreição de Lázaro. Este é considerado um dos maiores sinais realizados pelo Senhor Jesus, a ponto de quererem matar Lázaro também (Jo. 12:9-11).
Depois que os principais sacerdotes e os fariseus viram o milagre, "formaram um conselho e diziam entre si: Que faremos? Porquanto este Homem faz muitos sinais" (João 11:47).
Parte do povo foi levada à fé por causa daquele sinal; em outros, o sinal despertou resistência.
Os líderes religiosos reconheceram o milagre, mas recusaram-se a aceitar Quem o havia realizado. Eis o que disseram: "Se O deixarmos assim, todos crerão Nele..." (João 11:48).
II. Uma identidade construída sobre o cargo e o prestígio: Feridas da insegurança
A fala dos líderes religiosos revela um conjunto de sentimentos e motivações.
Revela mais do que uma divergência teológica.
Expõe um mundo emocional marcado por feridas emocionais não resolvidas e talvez, não percebidas por eles (Lc.5:31).
Quando a identidade de uma pessoa está alicerçada no cargo, no prestígio e na aprovação dos outros, qualquer ameaça a essa posição pode ser vivenciada como uma ameaça à própria identidade.
Os principais sacerdotes viam Jesus conquistando a admiração e a fé do povo. Sua influência crescia, enquanto a deles diminuía. Isso lhes causava ciúme.
A autoridade de Jesus despertava inveja, pois o povo reconhecia n'Ele algo que não via nos líderes religiosos (Mc. 15:10).
A expressão "tirar-nos-ão o nosso lugar" revela preocupação com sua posição, seu prestígio e sua autoridade religiosa.
Em vez de se alegrarem porque Deus estava agindo, enxergaram Jesus como alguém que concorria com sua influência sobre o povo.
III. Pregação e dons espirituais caminham juntos
Após a ressurreição, o Senhor Jesus estabeleceu: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho... E estes sinais seguirão aos que crerem..." (Marcos 16:15-20).
O livro de Atos confirma esse padrão repetidas vezes. Os milagres não eram um espetáculo, mas uma confirmação divina da mensagem da cruz.
Da mesma forma, o autor de Hebreus 2:4 declara: "Deus também dando testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios, vários milagres e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade."
Infelizmente, em alguns contextos religiosos surgem extremos.
Há quem valorize apenas a pregação e trate com desconfiança toda manifestação dos dons espirituais.
Outros concentram toda a atenção nas manifestações sobrenaturais e acabam deixando o Evangelho em segundo plano.
A pregação e os dons espirituais não são inimigos nem adversários. Ambos procedem do mesmo Senhor e cooperam para o mesmo propósito: glorificar Cristo e edificar Sua Igreja.
A Palavra anuncia Cristo.
Os dons confirmam Sua atuação.
A Palavra gera fé.
Os dons fortalecem a Igreja.
A Palavra revela a vontade de Deus.
Os dons manifestam Sua graça e Seu poder.
Paulo ensina, em 1 Co.12, que todos os dons procedem do mesmo Espírito, todos os ministérios pertencem ao mesmo Senhor e todas as operações vêm do mesmo Deus.
Nenhum dom torna alguém superior.
Nenhum ministério torna alguém mais importante.
Nenhum membro do Corpo deve ser menosprezado ou considerado descartável.
Quem prega fielmente serve ao Senhor; quem exerce dons de cura; quem ensina; quem evangeliza; quem profetiza; quem administra; quem auxilia... serve ao Senhor.
Todos cooperam para o crescimento do Corpo de Cristo.
Desprezar um dom concedido pelo Espírito Santo é desprezar a forma como Deus decidiu agir em Sua Igreja.
Conclusão
Os sinais não ocupam o lugar da mensagem, mas também não devem ser desprezados. Eles fazem parte da propagação do Evangelho e confirmam a vontade soberana de Deus.
Precisamos aprender a caminhar em unidade na diversidade de dons e ministérios, sem competição e sem acepção, reconhecendo que ambos procedem do mesmo Senhor.
Onde Cristo é anunciado com fidelidade e o Espírito Santo tem liberdade para agir, a Igreja é edificada, os perdidos são alcançados, os enfermos são curados, os cativos são libertos e Deus é glorificado.
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