JACÓ E A SUA LUTA INTERIOR
JACÓ E A SUA LUTA INTERIOR
A vida de Jacó pode ser vista como uma história de luta por importância e identidade.
Contudo, é uma narrativa de transformação interior extraordinária, onde suas feridas, conflitos e escolhas erradas são tratados pela graça de Deus.
1. JACÓ E SUAS FERIDAS
Desde o ventre, Jacó disputava.
Como “Suplantador”, Jacó se agarrava às oportunidades de maneira carnal.
Jacó cresceu em um ambiente familiar marcado por favoritismo e rivalidade. Isaque preferia Esaú, Rebeca, a Jacó.
Isso gerou nos filhos sentimentos de insegurança, carência e disputa. Havia uma busca de afirmação. E para conseguir isso, astúcia e manipulação eram utilizados.
Muitas vezes, nossas feridas de infância e experiências familiares moldam padrões de comportamento agressivo ou autoprotetivo.
2. A FASE DA FUGA
Após enganar Esaú, Jacó precisou fugir (Gn 27). Sozinho, sem apoio humano, deitou-se no deserto, com uma pedra como travesseiro (Gn 28). Ali, Deus lhe aparece em sonho.
O momento da solidão e da crise é também espaço de revelação.
Assim foi comigo na madrugada de Natal em 1996, numa das celas da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas - RS.
O Sr. Messias apareceu para mim em sonho.
É nesse ponto que muitas vidas feridas começam a ser tocadas pela graça.
3. O PROCESSO DE CURA
Em Padã-Arã, Jacó experimenta o que ele mesmo havia semeado: engano e exploração por parte de Labão.
Após anos de luta, riqueza e filhos, ainda lhe faltava paz interior.
No vale do Jaboque (Gn 32), ele luta com o anjo do Senhor. Ali ele tem um confronto com sua história, suas máscaras e sua identidade ferida.
Sai mancando, mas com um novo nome.
A cura vem quando paramos de fugir de nós mesmos e de Deus. É na luta íntima e no particular, onde devemos reconhecer nossas fragilidades.
4. A CURA
De enganador, Jacó se torna um príncipe de Deus.
Sua ferida física na coxa se torna sinal e lembrança de que o enfrentamento com a realidade pode nos marcar significativamente.
Ele reencontra Esaú e experimenta reconciliação, perdão e paz interior (Gn 33).
A verdadeira cura acontece quando a identidade é redefinida em Deus. Não se trata de apagar o passado, mas de ressignificá-lo sob a ótica da graça.
5. CONCLUSÃO
A vida de Jacó mostra que Deus é especialista em curar feridas e transformar identidades distorcidas.
Ele nos encontra na fuga, nos confronta naquele momento em que entendemos que não há mais como fugir daquilo que temos que enfrentar, nos toca na ferida e nos dá um novo sentido de vida.
A misericórdia e o perdão de Deus são mais do que suficientes para redimir qualquer quantidade de pecado humano.
A graça não apenas apaga o passado, mas dá poder para superarmos o domínio do pecado, mesmo quando este se manifesta em grande escala (Rm 5:20).
A história de Jacó mostra que, apesar dos inúmeros erros e pecados, as pessoas podem ser usadas por Deus para realizar grandes coisas.
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